Sobre

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Sobre2019-10-25T12:56:36-02:00

Quem Somos

O Movimento Meninas Crespas é formado por mães, pais, crianças, jovens, professoras e educadores populares  que buscam uma educação afrocentrada, enegrecendo o currículo escolar e convidando a comunidade na qual está inserida  ( Bairro Restinga- Extremo Sul de Porto Alegre) a resgatar sua ancestralidade e ver o mundo a partir de uma óptica negra.Tendo como ponto de partida as leis 10.639 e 11.645, utilizamos as danças afro, as aulas de percussão, as pesquisas sobre a história negra, rodas de conversa, criação de performances que dialogam com o tema, relatos escritos/ orais e a educação bilíngue ( Português/ Iorubá) como uma possibilidade de educação Afrocentrada. Nosso movimento tem  tem viés artístico e também político, pois demonstra a problematização de carência e falta, através das nossas  ações, da importância do ensino da Cultura negra, como também alerta sobre marginalização da mesma sofrida na sociedade.
O projeto estrutura-se a partir de uma tríade norteadora: sagrado, ancestralidade e atualidade negra. Tem com fundamento dos processos pedagógicos da Educação Afrocentrica três importantes referências: Malefi Asante, Renato Nogueira e Stuart Hall. Este ano,  a fundadora do projeto e umas das coordenadoras, recebeu o reconhecimento da marca Boticário, como uma das 5 mulheres que fazem a diferença no País, pelo trabalho desenvolvido e este título tornou o projeto conhecido nacionalmente. Atualmente, integramos a Rede das Escolas em Transição do professor José Pacheco (idealizador da Escola da Ponte, em Portugal,  e no ano de 2018, realizamos um intercâmbio com esta escola, apresentando o trabalho desenvolvido pelo Movimento Meninas Crespas lá).

Como surgiu?

O Movimento Meninas Crespas surge numa escola de Porto Alegre, instigado/motivado por um caso de racismo sofrido por uma aluna. A partir deste episódio lamentável, várias meninas reuniam-se com a professora Perla Santosfundadora e uma das coordenadoras – nos recreios para conversar sobre cabelo crespo e negritude. Elas se sentiam convocadas a fazer algo para combater as inúmeras “brincadeiras” racistas baseadas na textura do cabelo ou na cor da pele, como também almejavam conhecer a história negra para além da escravidão. Esse processo levou à constituição de um grupo, do qual se aproximaram pais, mães e outros familiares para a promoção de atividades dentro e fora da escola. Tal processo coletivo nos permite trocar experiências, valorizar a nossa estética, nossos crespos, celebrar nossa ancestralidade e elaborar ações e atividades culturais e pedagógicas, dentro e fora da Restinga (Escolas, Sindicatos, eventos, seminários,etc).
A estética, a dança negra e o resgate da História Africana e Afro-Brasileira são bases que nos norteiam. Visamos valorizar o cabelo crespo, resgatar a identidade negra e o poder do feminino.
A partir dos encontros no recreio, solicitamos à direção da escola uma sala para nos reunirmos. Os alunos inscritos no projeto, cerca de 40, entre meninas e meninos, foram divididos em duas turmas: turma Dandara e  Malcom X. Os encontros, que se iniciam sempre por uma roda de conversa, contextualizam situações, analisam fatos e debatem assuntos relacionados à população negra. No projeto, é ensinada a dança afro e são criadas as performances que o grupo apresenta em eventos. As famílias começaram a se aproximar e participar das oficinas e rodas de conversa. Atualmente, nos encontramos aos sábados, no Cecores, onde acolhemos outras famílias da região.

O que Fazemos?

Estamos criando o Instituto Meninas Crespas para atendermos a comunidade em geral, na qual pais e mães fazem parte da diretoria. Nas rodas de conversa, de forma coletiva, escolhemos que ações faremos. Estamos formando uma biblioteca afrocentrada e comunitária para as pessoas do bairro terem acesso à história negra. Também estamos escrevendo cartas de empoderamento para mulheres da Casa Mirabal, um local que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica, pois acreditamos na ideia de empoderar-se e empoderar outras, ou seja, só estou bem se Estamos bem!”. Confeccionamos cartazes com informações sobre a África e poesia negra para fixarmos no bairro e, assim, multiplicar o que aprendemos. Começamos a gravar um documentário para relatar nossa história. Temos aulas de Iorubá, pois defendemos uma educação bilíngue ( Português/Iorubá), com um mestre/Griô, aproximando os saberes da educação formal com a informal e valorizando os conhecimentos dos mais velhos ( Princípio Aafricano). As mães também têm aulas de dança, partindo da ideia da dança como autocuidado.
Realizamos diferentes ações de acordo com os seguintes eixos:

1) Eixo dança e performances  ( arte negra): Coordenadora Olúkó Perla Santos e Olúkó Matheus;

2) Eixo Pesquisa e educação; O lado negro da história:Olúkó Perla Santos, Olúkó Matheus e  Olúkó Mestre Cica de Oyó

3) Eixo Sagrado e ancestralidade: Dialogo com os terreiros Karina, Anne e Denise

4) Eixo afroempreendedorismo: Criação de produtos e acessórios afros ( Geração de Renda): Mãe , coordenadora e professora Crespa Luciane Xavier

5) Eixo figurino: Coordenadora e mãe crespa Inaí

6) Eixo comunicação: Redes sociais: Coordenadora e mãe crespa Andrea e Diego crespo;

7) Eixo Produção Artística: Tudo relacionado ao dia de apresentações externas ;maquiagem, ida ao banheiro, hidratação e alimentação dos alunos Lisi Crespa Melyssa, Isa e Manu

8) Eixo musicalidade: Olúkó Matheus

9) Eixo cuidado com o outro: Alunos do projeto que recebem os visitantes, explicam a história do grupo e nossa forma de trabalho (revezamento de grupos).

Nossa metodologia

No projeto, seguindo os princípios da Educação sulinada pelos princípios afrocêntricos, não só o docente o único detentor do saber. Crê-se nos multiplicidade de
saberes e estes habitam diferentes corpos com distintas formações. Todos os agentes envolvidos têm algo para ensinar, algo com que contribuir, algo para trocar. Nessa mesma direção: “Uma demarcação Afrocentrada na Educação começaria relendo os papeis de todas as atrizes e atores na produção dos diversos saberes” (Nogueira, 2010, p. 4). Os projetos afrocentrados defendem a temática africana seguindo os sete princípios- ou Nguzo Saba ( stete princípios):

(a) centralidade da comunidade;
(b) respeito à tradição;
(c) alto nível de
espiritualidade e envolvimento ético;
(d) harmonia com a natureza;
(e) natureza social
da identidade individual;
(f) veneração dos ancestrais;
(g) unidade do ser.

Articulamos todos esses elementos e os alinhavamos através de toda extensão curricular.
Cada integrante tem uma responsabilidade, incluindo os alunos, pais e parceiros. Um grupo é responsável pela divulgação (Faceboook, email, Website, Instagran), outros grupo é responsável por receber os visitantes e explicar como o projeto se organiza. Nas rodas de conversa, surgem  as novas ações do grupo, que se organiza dividindo tarefas. Também após cada ação, de forma coletiva, avaliamos a atividade, anotamos o que poderia melhorar e cada um faz uma autoavaliação. Também criamos as regras, que por ter sido construída de forma coletiva, faz com que cada aluno se sinta convocado a seguir.

Nossa Missão

Nossa missão é a busca por uma educação libertadora que convoca centralizar o agente historicamente oprimido. Focamos no processo de construção de conhecimento negro, sua história e cultura, em sua trajetória como ser humano e sua voz – sua fala, seu relato, é o ponto de partida da nossa abordagem. Temos uma visão do passado e presente diferente da visão ocidental. Enquanto esta última visa o futuro, guiando-se no progresso e vendo o passado como menos evoluído, a cosmovisão africana apresentará uma relação do presente para passado. Nele encontramos as respostas para os desafios atuais. Não há idealização, mas aprendizado, ensinamento de valores, passados ou deixados por aqueles que viveram antes de nós. A Afrocentricidade traz a necessidade de enegrecer as informações. O indivíduo africano, centro da discussão africana, não necessita de pensamentos e conclusões europeias relacionadas à África. Buscamos colocar o negro, como o sujeito da ação. Na Afrocentricidade há a analise do binômio centro e margem, ou seja, as relações são analisadas a partir deles. O negro que protagoniza sua vida está no centro-centrado, já o descentrado está afastado de sua história, história negra, tornando-se objeto, forçado a ver sua história e cultura de um ponto de vista eurocentrado. A Afrocentricidade coloca o negro numa relação protagonista com a sua história a partir da sua localização. Por isso, seguimos estes princípios, centrando nossas pesquisas e ações a partir da negritude.
Valorizamos a família, a vida em comunidade e o sagrado. Assim, perseguimos promover os princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental, dentro dos valores civilizatórios afro-brasileiros: circularidade, corporeidade, religiosidade, oralidade, energia vital-axé, ludicidade, memória, ancestralidade, musicalidade e comunitarismo.

Metas para o futuro

– Criação do Instituto Meninas Crespas;
– Ampliação do acervo da biblioteca comunitária ;
– Criação de uma escola comunitária de educação afrocentrada e bilíngue ( Português/Iorubá);

Parceiros:

NEABI – IF Restinga,  Mães e pais pela democracia, Escolas em transição,Logogames ( jogos de tabuleiro- UFRGS),